Em encontro institucional, representantes da Defensoria Pública destacaram a humanização como eixo estratégico do atendimento, ao mesmo tempo em que reconheceram gargalos de estrutura, pessoal e tecnologia. As falas convergiram para a necessidade de fortalecer o cuidado interno, aprimorar a comunicação com o público e consolidar a evolução organizacional da instituição. 

Realizada por meio da Escola Superior, do Setor Psicossocial e da Defensoria Especializada em Direitos Humanos, Coletivos e Socioambientais (DPDH), a capacitação ocorreu na última sexta-feira (6/2) e reuniu defensoras e defensores, servidoras e servidores, estagiárias e estagiários. 

A defensora pública-geral, Raquel Gomes de Souza da Costa Dias, afirmou que o acolhimento efetivo depende de conexão real com a dor do assistido. Segundo ela, o alto volume de demandas pressiona a operação e exige medidas de gestão para preservar qualidade e satisfação. Defendeu, ainda, que a instituição precisa “arrumar a própria casa”, cuidando de seus quadros para sustentar um atendimento qualificado. No mesmo sentido, reconheceu que a Defensoria segue em construção e precisa ampliar servidores e tecnologia para ganhar eficiência. 

Defensora pública-geral Raquel Gomes de Souza da Costa Dias — Fotos Bryan Carvalho / ASCOM

A coordenadora da Escola Superior, defensora pública Silvana Lourenço Lobo, reforçou a razão de existir da Defensoria: servir aos vulneráveis por renda, idade, raça, gênero ou deficiência. Ao comparar o acesso ao direito ao “pão”, destacou o caráter essencial da justiça para a dignidade humana. Para ela, a humanização passa por reconhecer o assistido como pessoa, muitas vezes tão ou mais relevante que o próprio desfecho jurídico. 

Coordenadora da Escola Superior (Esdep), defensora pública Silvana Lourenço Lobo

A defensora pública Marolinta Dutra, em atuação no Juizado Especial, resgatou a trajetória institucional, lembrando o período de precariedade até a conquista de autonomia e estrutura. Apesar de já ter ocupado cargos de gestão, enfatizou a importância do retorno ao atendimento direto e às audiências, sublinhando que cada caso exige compreensão individual para garantir qualidade técnica e sensibilidade no serviço. 

Defensora pública em atuação no Juizado Especial, Marolinta Dutra

O defensor público Vladimir Rodrigues, em atuação na Defensoria Especializada em Direitos Humanos, Coletivos e Socioambientais (DPDH), chamou atenção para públicos que historicamente encontram “portas fechadas” no Estado, como pessoas em situação de rua, população LGBTQIA+ e vítimas de violência. Para ele, mesmo atendimentos considerados simples têm impacto duradouro e devem ser conduzidos com fraternidade. 

Defensor público em atuação na DPDH, Vladimir Rodrigues

Representando a ADEP, o vice-presidente jurídico-legislativo, defensor público Bruno Fiorin, colocou o “cuidado com o cuidador” no centro da pauta. Defendeu que equipes apoiadas e valorizadas refletem melhor atendimento. Também apontou a comunicação como pilar tão relevante quanto a técnica jurídica e sugeriu eliminar barreiras físicas e simbólicas que dificultem a relação, a fim de tornar o atendimento mais humano e individualizado. 

Vice-presidente jurídico-legislativo da ADEP-MG,  Bruno Fiorin

A capacitação, na íntegra, e os materiais apresentados estão disponíveis na plataforma Esdep EAD.